Deputada pede que EUA “deixem de conceder refúgio” a Bolsonaro

A deputada democrata norte-americana Alessandra Ocasio-Cortez (Nova York) recomendou que os EUA deixem de dar abrigo ao ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro após os violentos ataques aos prédios dos Três Poderes no domingo (8) em Brasília. “Quase dois anos depois que o Capitólio dos EUA foi atacado por fascistas, vemos movimentos facistas no exterior tentando fazer o mesmo no Brasil”, publicou a congressista em sua conta no Twitter.

“Os EUA devem parar de conceder refúgio a Bolsonaro na Flórida”, completou. Várias personalidades do Partido Democrata fizeram coro, buscando reforçar a ligação entre os atos no Brasil e a invasão do Congresso dos EUA em 6 de janeiro de 2020 por seguidores do ex-presidente Donald Trump.

Bolsonaro foi um aliado declarado de Donald Trump durante o governo do Republicano e, ao comentar os ataques ao Capitólio, destacou as denúncias de fraudes contra as eleições dos EUA. O ex-presidente brasileiro está na Flórida desde a posse de Lula no governo federal como visitante, não contando com instituto de refúgio ou exílio concedido pelo governo norte-americano, como a mensagem da parlamentar sugere.

O também deputado democrata Jamie Raskin (Maryland) afirmou que as democracias do mundo devem agir rapidamente para deixar claro que não haverá apoio para insurgentes de direita que invadem o Congresso brasileiro.

E o ex-candidato à Presidência dos EUA e senador Bernie Sanders (Nova York) reforçou a ofensiva. “Os ataques de hoje são exatamente o motivo pelo qual eu pressionei para que o Senado aprovasse uma resolução apoiando eleições livres e justas no Brasil”.

A reação dos parlamentares faz parte do esforço do Partido Democrata de manter viva a memória da invasão do Capitólio, no qual cinco pessoas morreram, numa tentativa de apoiadores do ex-presidente Trump de impedir a certificação da vitória do presidente Joe Biden pelo Congresso dos EUA. O ataque, que completou dois anos no último dia 6, gerou uma grande investigação criminal que tem mais de 950 pessoas acusadas em 50 Estados e no Distrito de Colúmbia (onde fica a sede do governo federal). Mais de 300 pessoas foram sentenciadas até agora e um relatório parlamentar com 841 páginas aponta responsabilidade de Trump nos ataques.

“Atos ultrajantes”
Em viagem ao México, para discutir o problema da migração entre os dois países, o presidente Joe Biden classificou de “ultrajantes” os atentados aos prédios dos Três Poderes. Desde cedo o governo dos Estados Unidos estava monitorando os atos no Brasil.

A Embaixada dos EUA em Brasília traduziu e redistribuiu uma nota nas redes sociais repassou uma nota do secretário de Estado, Antony Blinken, com os dizeres “condenamos hoje os ataques à Presidência, ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal do Brasi. Usar a violência para atacar as instituições democráticas é sempre inaceitável.

O TEMPO