

Pré-candidato ao Governo do Estado nas eleições deste ano, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), voltou a se afastar da disputa ideológica entre direita e esquerda. Em entrevista à TCM publicada na última quinta-feira 8, o prefeito afirmou que sua atuação política está centrada na entrega de resultados e na capacidade de resolver problemas concretos da população.
“Eu sou do time que resolve, eu sou do time que entrega resultado”, afirmou. Em seguida, destacou que não se orienta por rótulos ideológicos e que essa postura se reflete na própria composição do seu governo municipal. “Eu respeito se você é de direita, se você é de esquerda, se você tem uma posição mais ao centro. O meu secretariado é formado por pessoas que estão mais à direita e outras que estão bem mais à esquerda, mas a gente consegue conciliar”, disse.
Para Allyson, a polarização nacional não deve ser determinante na disputa pelo governo em outubro deste ano. “Eu não acredito que essa polarização vai influenciar no voto pra governador”, afirmou, citando exemplos recentes de eleições municipais para sustentar o argumento de que a população prioriza a capacidade de gestão. Segundo ele, “as pessoas estão querendo alguém que resolva o problema”.
Apesar do tom de pré-campanha, Allyson deixou claro que a decisão final ainda não foi tomada. Ele afirmou que pretende tirar um curto período de descanso antes de anunciar oficialmente sua posição. “Já estou com data marcada para fazer uma viagem, ter alguns dias de descanso, de férias, com minha esposa, com minha família, e aí tomar uma decisão”, declarou. De acordo com o prefeito, esse período de reflexão deve durar cerca de dez dias.
Ao falar desse intervalo, Allyson fez menção direta ao vice-prefeito Marcos Medeiros (PSD), ressaltando que o planejamento já foi comunicado. “O Marcos já está ciente disso”, afirmou, referindo-se à viagem e ao tempo de avaliação sobre o futuro político. O prefeito também sinalizou que, caso confirme a candidatura, haverá consequências administrativas claras. “Sendo candidato, terei que renunciar à Prefeitura de Mossoró até o início de abril”, disse, ao comentar as exigências da legislação eleitoral.
Articulação da candidatura
O prefeito também destacou que a decisão não será individual, mas envolverá articulação política e definição partidária. Segundo ele, é necessário deixar claro o rumo que será adotado para que os partidos possam se organizar. “Nós temos que tomar uma posição. Até para que o partido possa saber de fato qual o caminho que vai trilhar nesse ano de 2026”, afirmou.
Durante a entrevista, Allyson detalhou as conversas em curso com partidos aliados e lideranças políticas. Ele citou a federação entre União Brasil e PP, além do diálogo com o PSD, e ressaltou o peso desse agrupamento no cenário eleitoral. “Esse é um grupo partidário importante”, afirmou, mencionando o tempo de televisão e a expectativa de eleger bancadas expressivas para a Assembleia Legislativa e a Câmara Federal.
O prefeito também atribuiu papel central aos prefeitos no processo eleitoral de 2026. Para ele, os gestores municipais tendem a ter atuação decisiva na disputa. “Esse é o ano que os prefeitos serão muito ativos, determinantes”, declarou, ressaltando que eles sentem no dia a dia as dificuldades enfrentadas pelo Estado e não podem permanecer passivos diante dos problemas.
Ao ser questionado sobre desgaste político, Allyson afirmou estar preparado para enfrentar críticas e ataques, caso avance na disputa estadual. Ele reconheceu que liderar pesquisas aumenta a exposição, mas minimizou o impacto pessoal. “A gente vai receber muita pedrada”, disse, ponderando que isso faz parte da vida pública. Segundo ele, o que mais incomoda é quando os ataques atingem a família, mas garantiu manter o foco. “Eu estou muito focado na missão que Deus me deu, no projeto que eu tenho”, afirmou.
Ao longo da entrevista, Allyson reforçou que sua principal credencial para uma eventual candidatura é a experiência administrativa acumulada à frente da Prefeitura de Mossoró. Ele citou decisões difíceis tomadas ao longo do mandato, muitas delas impopulares no início, mas que, segundo ele, se mostraram corretas com o tempo. “Gestão não é toda hora você tomar medidas que lhe aplaudam”, afirmou. “Boa parte da gestão é tomar medidas que as pessoas lhe critiquem, mas para depois ver o resultado”.
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